domingo, 8 de agosto de 2010

DEVANEIO EM FRENTE AO THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO

E vamos supor: sentados numa cadeira de cinema, assistindo um filme americano da moda, em companhia de outros amigos; nossas mãos se encontraram. Vamos imagina que, com o encontro de nossas mãos, nossos olhares também se fitaram, buscando, um dentro do outro, uma significancia para esse casual encontro físico querendo torná-se químico. Vamos trabalhar na seguinte hipotese: um sorriso brotou de nossos lábios, após os nossos olhos brilharem um para o outro. Fazendo de conta: nossas mãos, apertaram-se ansiosas em se fundirem uma na outra: nossos olhos por pouco não choraram tamanha a emoção desse fato: o sorriso nos nossos lábios foram esquecidos por nós dois e, ao invés de sorriso, nossas bocas resolveram se unirem.
P.S: Sobe os créditos do tal filme. E tudo foi uma hipotese.
Sérgio Santal

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ELES

Os crédulos dizem "aleluia" sem saber o sentido literal dessa palavra.
Os crédulos lêm a biblia sem entender direito de poesia.
Os crédulos falam do apocalipse sem compreender que este já acontece, interna e externamente.
Os crédulos falam dos anjos como algo distante sem entender que, para termos asas basta evoluir.
Os crédulos não se dizem Deuses. Por isso estão longe da eternidade.
Os crédulos andam de bicicleta, quando poderiam estar voando...

Sérgio Santal

domingo, 1 de agosto de 2010

UM TRATADO SOBRE VOCÊ (É, você!)

Em meus braços; entre minhas pernas; pendurado em minha nuca; perdido em meus olhos; meus laços desfeitos; meu mundo imperfeito; você distante; eu em silêncio; você falando; eu em silêncio; você se declarando; eu em silêncio; eu em silêncio; eu em silêncio; é... eu em silêncio; você indo; eu em silêncio; eu em (...); você; eu; silêncio;
Sérgio Santal.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

UM AUTO-RETRATO (Parte 2)

Ele me disse:
- Oi!
E eu me apaixonei...
Sou assim:
Apaixonado,
não
apaixonável.

Sérgio Santal.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"JÚLIA PETROVIT"


Num roupante de sábado, peguei o 284, na praça Tiradentes no Rio de Janeiro, e fui visitar minha amiga, Gabriella Slovick.
Falamos de muitas coisas e, como quase sempre, falamos tambem das dificuldades de se fazer literatura e ter o reconhecimento por isso.
Num dado momento, me queixei:
"Por que não nasci jogador de futebol, Gabi!"
E ela, ainda mais revoltada:
"E eu Sérgio? Por que não nasci Maria Chuteira!"


Nessa mesma noite ela me mostrou o original de seu livro de memórias "Eneida. A Mulher da Caverna", logo na primeira página sua genialidade me tomou de emoção:
"É fato. Quem não detem o conhecimento reafirma o catolicismo."
Recomendo a leitura deste livro, que está disponível para venda no site www.clubedeautores.com.br, para aqueles que admiram o trabalho desta sensível escritora e gostam de lê algo com pespectiva filosófica.
Todas as salvas de palmas para ti, Gabi!

Sérgio Santal





quarta-feira, 14 de julho de 2010

UM AUTO-RETRATO

Me analizando duramente, depois de uma troca de olhares que em nada deu, cheguei a uma conclusão, plauzível, á meu respeito:
Eu sou como uma obra de arte conteporânea. As pessoas sensíveis admiram as suas formas ousadas, suas cores confusas que não levam a lugar nenhum mas dizem tudo sobre o nada; mas nenhum desses amantes da arte de vanguarda tem coragem de levar essa pitoresca obra de arte para a sua casa e colocá-la num canto em sua sala, monstrando-a para as suas visitas.
Por tanto, essa obra de arte, bela em seus contornos estranhos, fica presa em um museu, morfando ao lado de uma múmia assexuada e de uma pintura expressionista assinda pelo Van Gogh.

Sérgio Santal

terça-feira, 6 de julho de 2010

MIL E UMA NOITE PARA UM SÁLARIO MÍNIMO

É surreal. Mil e uma noite vendendo jóia na TV, cobrando uma prestação de mil e 500 reais para um povo que vive de sálario mínimo e, quando muito, compra uma "biju" folheada a ouro para exibí-lo na festa de 15 anos da filha da dona Neide.
É um deboche: esmeraldas, ouro branco e topázios exibídos em horário nobre arrazando com a vida do pobre que vê um programa deste e acha natural. Eu não acho normal esse hábito de achar tudo natural para não ficar chato aos olhos dos outros.
Calmamente a apresentadora diz: - "Relógio de pulso Rolex, todo trabalhado em ouro branco, pelo melhor preço do mercado! Ligue agora que a promoção é finita!" Mal sabe a sem noção que, o povo desta nação compra relógio roubado na rua da Alfedega numa promoção infinita: 10,oo r$ para marcar o tempo.
Uma coisa me faria feliz neste sábado melancólico: um filme antigo, em preto e branco, ou até mesmo um faroeste para tirar do ar um programa tão Trash como esse que eu assisto por falta do "Altas Horas", que ainda não começou...
P.S: Mudo de canal e o que vejo no programa seguinte: Amaury Júnior, num cruzeiro em pleno ocêano atlântico, ao lado de uma perua de sociedade, fazendo propaganda de pró-seco frances. É por essas e outras perólas da nossa TV que eu leio livros.
Sérgio Santal