sábado, 1 de janeiro de 2011

DESTEMIDO POR TER CORAGEM

Fechá-se um circulo e iniciá-se um outro. Que venha o ano novo! Nada mais me assusta. Descobri que quando caminhá-se em meio a uma tempestade, sempre se pode contar com um guarda chuva em mãos. Guarda chuva esse que pode estar esquecido em sua bolsa e, por você viver num país tropical, acaba por esquecer esse objeto, genial em sua função: proteger. Ou, também, o guarda chuva pode vim de uma outra mão: um camelô que o venderá por cinco reais na Central do Brasil, para que você possa caminha tranquilo e protegido enquanto o aguaceiro cai em sua volta.
Sérgio Santal

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

PARA UM SABOTADOR DE ILUSÕES ALHEIAS

Vejo os carros correrem pela avenida abaixo dos meus olhos e lembro-me de ti, a me fazer um singelo afago em minha nuca me fazendo pensar, dubiamente: será que é amor?
Eu, que quetinho estava em meu canto, possivelmente pensando em um conto e você, jovem de sorriso sedutor, a me despertar pensamentos que eu jurava já estarem sanados. Que caralho de cancer é esse meu deus? Por que não só uma fodinha casual? Ou, quem sabe, duas fodinhas causais? Tá bom, três fodinhas e não se fala mais nisso.
Pra que querer minha inteligência se não vai saber o que fazer com ela?
Gente, eu não estou apaixonado. Mas tenho medo de me apaixonar e acreditar que você é um príncipe encantado mesmo sabendo que você é, na verdade, um sapo. Um carente é assim, sabe? Idealiza o homem ideal em qualquer coisa. Até em poste.
Falo isso por que já fui um. Ou sou?
Sérgio Santal

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O REAL PRIMEIRO PORQUINHO

Sou um dos três porquinhos. É sério, não riem. Talvez o primeiro, não mencionado na fabula conhecida por todos. Sou aquele que o lobo soprou a casa primeiro. A casa feita de pespectivas.
O primeiro porquinho (na verdade o segundo, o da casa de palha) fechou a porta na cara desse porquinho, pôs achava um absurdo uma moradia feita de pespectivas e, depois que o Lobo derrubou sua sublime casa feita de palha, fugiu para a casa do segundo e os dois, depois que o lobo pôs a casinha de madeira no chão, correram para a casa do terceiro.
Os três trancafiados na segura casinha de tijolos e o real primeiro porquinho (eu), não teve o apoio do segundo porquinho (aquele que vocês consideram o primeiro) e por isso vaga só pela floresta; pois nem o lobo mal o quis.


Sérgio Santal.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

NOITE JÁ

Estar triste, e não consegue chorar. Olha pela janela e fitar as estrelas é o seu único consolo. O cara da pastelaria; o cara do supermercado; o rapaz da cerâmica...
O rapazes. Os caras. Em que momento achou que eles poderiam querer algo do âmbito afetivo com ela: (foi uma indagação, embora o paragráfo não tenha findado com com um ponto de interrogação; foi uma pergunta.)
Sai da janela e vai até o espelho. Pára. Fitá-se. Rercua do espelho e chega próxima a janela novamente. O que era pior? Contemplar as estrelas ou a si mesma?
Angusta (...)
Foi até o banheiro com o intuíto de urinar. E enquanto urinava ficou a pensar: qual dos confrontos era o pior? O com as estrelas ou o consigo mesma?
Saiu do banheiro indo para o quarto.
Fechou a janela cuidadosamente para, depois disso, jogar o seu espelho no chão. De longe, via os cacos lançados no chão. Temeu se ver multiplicada. Voltou para o banheiro e adormeceu sentada no vaso sanitário.
(Sérgio Santal - trecho de um romance meu, ainda sem título)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

NÓS (Eu, você e todos nós)

Que vontade de chora.
Por mim,
por você,
por nós.
Nós, pobre seres:
Nós, seres:
Nós, seremos:
Nós, algo de um todo.
Nós que choramos, tal como um bobo.
Nós. O que será?
Nós. Por que não ser?

(Em frente ao teatro Nelson Rodrigues. Noite quase fria, RJ - Sérgio Santal)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

(...)

O que somos nós senão lembranças dos outros?
Ontem vi um senhor subir a rua defronte a minha casa. Era fim de tarde e ele subia pesado. Eu o via subir. Hoje eu ainda me lembro dele, amanhã, talvez, me lembre, mas e depois?
Viver é irrelevante. Ontem (quase dez anos atrás) tive um grande amor que me motivava a pensar poéticamente. Ele estar morto e a sensação que me sonda é que perdi meu tempo. Hoje ele é lembrança, amanhã ou depois será eternidade.
O que queremos dos outros e o que queremos de nós? Ontem tive ganhos que hoje não tenho mais. Valeu a pena lutar por aqueles ganhos? Irá valer a pena batalhar por alguma coisa nesta vida se amanhã ou depois podemos perde tudo?
Somos pequenos. Dããã! Que conclusão genial! Não cabe em nós tantas vitórias. Então elas (as conquistas) se perdem por que sabem que não há nessa ou naquela existência, lugar para elas.
Somos saudades dos outros. Não somos amor nem ódio. Somos saudades. Saudade representante oficíal do tempo. Temos saudade do futuro. Pois pespectiva é um modo diferente de ter saudade.
Gente, acho que descobri o que é o tempo!


(Sabádo melancólico, Sérgio Santal)

domingo, 17 de outubro de 2010

"QUERO DANÇAR COM VOCÊ! DANÇAR COM VOCÊ!"

Basta uma razão. Uma única só razão para eu me arrumar todo. Por a minha melhor roupa. Enfim, me fazer por bonito e brincar de seduzir. Jogar com os artifícios do encontrar alguém. Pensar em namorar. Seria perfeito: ambos atores, ambos compátiveis, segundo nossos amigos em comum. Vou contar até um. Pois contar até dez levaria um tempo enorme e quando eu chegasse no oito, padeceria de transtorno com a possibilidade de você se afastar antes mesmo de me beijar. Então não vou contar. Vou falar, talvez, o que eu quis te dizer naquela festa e as circustâncias não me deram brechas:
Ei, você dança de uma maneira encantadora! Quer dançar comigo?

Sérgio Santal
(ao menino da Martins Pena que, dizem, parece muito comigo)